Governadora Raquel Lyra e prefeito João Campos enfrentam processos por supostos benefícios a familiares e alteração em concurso público, enquanto trâmites avançam nas casas legislativas.
Um embate que vai muito além dos processos formais está definindo o cenário político de Pernambuco. No centro da disputa, dois nomes fundamentais para o futuro eleitoral do estado: a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB). Ambos são alvos de pedidos de impeachment que, mais do que ameaças jurídicas concretas, alimentam uma ferrenha guerra de narrativas com potencial para drenar ou consolidar capital político.
Os casos, que envolvem acusações de benefício a parentes e suposta manipulação de processos públicos, surgem em um momento sensível, quando os olhos do estado começam a se voltar para as eleições de 2026.
Do lado do Palácio do Campo das Princesas, a governadora Raquel Lyra enfrenta um pedido de impeachment protocolado pelo deputado estadual Romero Albuquerque (União). A denúncia atinge um ponto sensível: a empresa de transporte Logo Caruaruense, pertencente à família de Lyra.
Segundo o processo, a empresa operava há três anos com vistorias veiculares vencidas e sem o Certificado de Registro Cadastral (CRC) em dia. O detalhe que potencializa a acusação é que o trâmite de renovação teria sido paralisado justamente ao chegar ao gabinete de um diretor nomeado pela própria gestão estadual. Em meio à repercussão negativa, a governadora anunciou o encerramento das atividades da empresa, medida vista por adversários como uma tentativa de conter o dano político.
Na capital, o prefeito João Campos se vê encurralado por um pedido de impeachment do vereador Eduardo Moura (Novo). O caso, que chegou a abalar a imagem do jovem prefeito, envolve uma alteração no resultado de um concurso público para Procurador do Município.
As suspeitas giram em torno da nomeação, na vaga reservada a Pessoas com Deficiência (PCD), do filho de um juiz e uma procuradora. O candidato teria sido incluído após o encerramento das inscrições, desbancando o único aprovado original da cota. A nomeação gerou imediata acusação de favorecimento e troca de favores com o Poder Judiciário. Apesar de a Prefeitura ter anulado a nomeação polêmica e restabelecido o candidato original, o vereador autor mantém o pedido de impeachment, alegando violação grave do edital do concurso.
A batalha real é pela narrativa, neste momento, o risco político é maior do que o jurídico. Enquanto os trâmites dos pedidos de impeachment caminham a passos lentos na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e na Câmara Municipal do Recife, a arena eleitoral já está em ebulição.
Para a oposição, os casos são a prova concreta de um suposto “velho costume” de privilégios, atingindo ambos os lados do espectro político. Para as defesas de Lyra e Campos, as acusações são manobras políticas eleitoreiras, sem substância para prosperar, mas com alto poder de desgaste.
O que está em jogo, portanto, não é apenas a legalidade dos atos, mas quem sairá vitorioso na construção do relato que ficará para o eleitor. A imagem de renovação de João Campos e a de gestão técnica de Raquel Lyra estão sob fogo cruzado. Em um estado com histórico político forte e polarizado, essa disputa de narrativas pode ser o termômetro decisivo para os próximos pleitos, definindo aliados, inimigos e o humor do eleitorado pernambucano. A queda de braço só está começando, e promete esquentar ainda mais os corredores do poder.

