A posse de Kaio Maniçoba (PP) na Secretaria de Turismo e a migração do Avante para a base do governo Raquel Lyra, na manhã desta segunda-feira (24), não são movimentos isolados, mas peças de um xadrez político que visa fortalecer a governadora diante das eleições de 2026.
O PP se Entrincheira no Governo
A entrada de Kaio Maniçoba no executivo estadual consolida o Progressistas como um partido-chave na gestão Lyra. Além de ser uma figura com trânsito no sertão (filho da prefeita de Floresta, Rorró Maniçoba), a mudança traz consigo uma rede de influência que inclui o ex-prefeito de Araripina, Alexandre Arraes, pois sua esposa, Roberta Arraes, retorna a ALEPE – um nome forte no Sertão do Araripe. A nomeação é um gesto político que reforça a aliança com o PP, partido que já tem espaços influentes no governo.
O Avante Abandona João Campos e Fortalece Raquel
O rompimento do Avante com a base do prefeito João Campos (PSB) é um golpe estratégico para a oposição. Liderado por Sebastião Oliveira, o partido não apenas deixa a gestão recifense, como entrega cargos e passa a integrar a máquina estadual. O movimento sinaliza uma erosão na base de João Campos, que perde um partido com capilaridade em municípios do interior.
A indicação de Virgílio Oliveira (filho do deputado Waldemar Oliveira) para administrar Fernando de Noronha, e do ex-prefeito de Custódia, Emmanuel Fernandes, mais conhecido como Manuca, que assumiu oficialmente a Secretaria de Desenvolvimento Profissional e Empreendedorismo de Pernambuco, foram a moeda de troca que selou o acordo. O Avante agora se alinha a Raquel Lyra, que, por sua vez, ganha mais um instrumento para pressionar o PSB no cenário estadual.
O Jogo para 2026
Raquel Lyra está claramente costurando uma ampla frente para se fortalecer diante de uma possível disputa contra João Campos em 2026. Com o PP dentro do governo e o Avante mudando de lado, a governadora busca enfraquecer o PSB, tirando partidos da base de João; Fortalecer sua base no Sertão, com nomes como Kaio Maniçoba e aliados do PP; e Isolar o prefeito do Recife, que agora perde um partido estruturante.
Enquanto isso, João Campos terá que recompor forças para não ficar encurralado. Se o PSB perder mais aliados, o caminho para Raquel se reeleger poderá ficar mais aberto.
A movimentação mostra que Raquel Lyra está jogando para vencer a longo prazo, enquanto João Campos vê sua base minguar. O governo estadual agora tem mais instrumentos para pressionar a oposição e, ao mesmo tempo, garantir apoio em regiões-chave.
Se o PSB não reagir, 2026 pode ser o ano em que Raquel Lyra consolida seu projeto de poder – e João Campos enfrentará uma guerra muito mais difícil do que esperava.