Por Sílvio Moura
Engraçado como o Congresso anda “eficiente” quando o assunto é proteger os seus.
Pra investigar escândalo? Silêncio.
Pra enfrentar interesses poderosos? Lentidão.
Agora, pra derrubar indicação ao STF, aliviar punição de quem atacou a democracia e fazer articulação de bastidor. aí funciona como um relógio suíço.
Que coincidência, né?
O que a gente vê hoje não é independência entre Poderes. É um cooperativismo de autoproteção: um segura o outro, ninguém investiga ninguém e o povo assiste de fora pagando a conta.
E depois ainda tentam vender isso como “equilíbrio institucional”.
Equilíbrio pra quem?
Enquanto isso, temas sérios ficam travados, CPIs são engavetadas, denúncias graves não avançam, mas os acordos que interessam a grupos políticos caminham com uma rapidez impressionante.
É o famoso: quando mexe com o sistema, trava. Quando protege o sistema, anda.
É exatamente nesse cenário que a escolha de nomes pro Senado deixa de ser detalhe e vira decisão de país.
Marília Arraes nunca foi confortável pra esse tipo de jogo. Sempre teve lado e não foi o lado mais fácil. Enfrentou estruturas, rompeu quando precisou romper e não se moldou a conveniências pra sobreviver politicamente.
Num ambiente onde muitos se adaptam para se manter, ela escolheu se posicionar mesmo quando isso custava caro.
E isso faz toda diferença.
Porque o Senado não precisa de mais um nome que “se entenda com todo mundo” nos bastidores. Precisa de alguém que incomode, questione e tenha independência para não entrar nesse ciclo de proteção mútua.
Os últimos acontecimentos não são apenas vergonhosos, são didáticos. Mostram exatamente o que acontece quando o sistema se fecha sobre si mesmo.
E deixam claro também o que falta: coragem, coerência e compromisso real com o povo.
No fim, não é sobre esquerda ou direita. É sobre escolher entre quem joga o jogo do sistema e quem tem coragem de enfrentá-lo.
Silvio Moura
Publicitário e Ex-vereador da cidade do Paulista.

